Por Juliana Aragão: Da redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
Água para 12 milhões e impulso para o desenvolvimento
Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
O objetivo: a assegurar o fornecimento de água a cerca de 12
milhões de habitantes de 390 municípios do Agreste e do Sertão dos
estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte,
considerados os mais vulneráveis à seca, e assegurar o desenvolvimento
sócio-econômico da região. Se a meta já impressiona, o projeto assume
uma magnitude comparável a poucas obras de infraestrutura no Brasil. A
transposição do rio São Francisco, cuja função é integrá-lo às bacias
dos rios temporários do Semi-árido, pretende criar uma nova rede de
distribuição da água do Velho Chico, interligando-o aos grandes açudes
do Nordeste Setentrional.
O projeto é orientado em duas frentes: os chamados Eixo
Norte e Eixo Leste. Em Pernambuco, os Eixos Norte e Leste, ao
atravessarem o seu território, servirão de fonte para adutoras já
existentes ou em projeto, responsáveis pelo abastecimento de populações
do Sertão e do Agreste: Adutora do Oeste, Adutora do Pajeú, Adutora Frei
Damião e Adutora de Salgueiro.
Rio da integração nacional, o São Francisco, descoberto em
1502, foi assim batizado por ter sido a ligação inicial do Sudeste e do
Centro-Oeste com o Nordeste. Desde as suas nascentes, na Serra da
Canastra, em Minas Gerais, até sua foz, na divisa de Sergipe e Alagoas,
ele percorre 2.700 km. Ao longo desse percurso, que banha cinco estados,
o rio se divide em quatro trechos: o Alto São Francisco, que vai de
suas cabeceiras até Pirapora, em Minas Gerais; o Médio, de Pirapora,
onde começa o trecho navegável, até Remanso, na Bahia; o Submédio, de
Remanso até Paulo Afonso, também na Bahia; e o Baixo, de Paulo Afonso
até a foz.
Atualmente, 95% do volume médio liberado pela barragem de
Sobradinho no rio - 1.850 metros cúbicos por segundo - são despejados no
oceano e somente 5% são consumidos ao longo do seu curso. Nos anos
chuvosos, a vazão de Sobradinho chega a ultrapassar 15 mil metros
cúbicos por segundo, e todo esse excedente também vai para o mar. Com a
integração do Rio São Francisco às bacias hidrográficas do Nordeste
Setentrional, o Governo Federal espera, além de estruturar o
abastecimento na região, fomentar atividades econômicas, especialmente a
irrigação no Vale do São Francisco – grande produtora de frutas para
exportação e geradora de emprego e renda - cuja área irrigada pode ser
expandida para até 800 mil hectares.
O Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias
Hidrográficas do Nordeste Setentrional é considerada pelo governo como a
mais importante ação estruturante da política nacional de recursos
hídricos.
Imagem: Mapa/divulgação
| Extensão |
Cerca de 700 km |
| Investimento |
R$ 6,8 bilhões |
| Eixos |
Norte – captação em Cabrobó (PE), percorrerá 402 km
até os rios Salgado e Jaguaribe (CE), Apodi (RN) e Piranças-Açu (PB/RN).
Conclusão: dezembro de 2015.
Leste – captação no lago de Itaparica, em Floresta (PE),
percorrerá 220 km até o rio Paraíba (PB). Conclusão: dezembro de 2014. |
| Situação das obras |
Dos 16 lotes existentes, 10 estão em atividade. Dos 6
restantes, o 9 e o 13 devem ser remobilizados em fevereiro; o 3 e o 4
terão os contratos rescindidos; e o 5 está em processo de licitação. |
Fonte: Ministério da Integração Nacional
Do Sertão até o mar
De um lado, uma intensa produção agrícola e mineral. Do
outro, a mais de mil quilômetros de distância, dois grandes portos
profundos capazes de escoar milhões de toneladas de matérias primas e
gêneros alimentícios para exportação. No meio deles, uma ferrovia que
nasceu com o intuito de dar início a um longo ciclo de desenvolvimento
para o Nordeste. Essa é a função da Transnordestina, cujo percurso vai
ligar o município de Eliseu Martins (PI) aos portos de Pecém (CE) e
Suape (PE), chegando até Porto Real do Colégio (AL), onde se interligará
à Ferrovia Centro-Atlântica. No percurso, de 1.728 quilômetros, estão
várias cidades e polos produtores, especialmente de soja, milho,
algodão, frutas, biocombustível, minério de ferro e gipsita.
Imagem: CFN/Divulgação
As projeções da ferrovia apontam para o transporte de cerca
de 27 milhões de toneladas em 2020. A construção foi iniciada em 6 de
junho de 2006 e sua conclusão do primeiro trecho prevista para este ano.
As obras, orçadas em R$ 5,4 bilhões, já têm 98% das
desapropriações concluídas e 65% das obras de arte e infraestrutura
(pontes, túneis, viadutos, aquedutos) finalizadas, segundo a
Transnordestina Logística, responsável pela sua construção. No trecho
entre Eliseu Martins e Suape, mais de 40% da obra já está executada.
Até janeiro, foram executados R$ 3 bilhões do total de
recursos estimados. O dinheiro é oriundo de várias fontes de
financiamento, incluindo FNDE, Finor, BNDES, BNB, Valec e recursos
próprios da Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN).
| Extensão |
1.728 km de construção / 560 km de recuperação / Total: 2.288 km
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| Investimento previsto 2007-2010 |
R$ 5,42 bilhões |
| Fonte de financiamento |
FDNE/Sudene 2.672.400.000
FNE/BNB 180.000.000
Finor 823.000.000
BNDES (financ. à CSN) 675.000.000
CSN 681.600.000
BNDES 225.000.000
Governo federal 164.600.000
Total 5.421.600.000
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| Empregos |
Durante a construção: 70 mil
Total: 550 mil (diretos e indiretos)
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| Trechos previstos |
Missão Velha (CE) / Salgueiro (PE) - construção - 96 km
Salgueiro (PE) / Trindade (PE) - construção - 163 km
Salgueiro (PE) / Suape (PE) - construção - 522 km
Missão Velha (CE) / Pecém (CE) - construção e remodelagem - 527 km
Trindade (PE) / Eliseu Martins (PI) - construção
Cabo de Santo Agostinho (PE) / Porto Real do Colégio (AL) - recuperação - 560 km
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Em operação, a Transnordestina Logística terá |
110 locomotivas (em 2020)
2.700 vagões (em 2020)
900 mil toneladas de capacidade estática de armazenagem para grãos nos terminais portuários de Suape e Pecém
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| Principais cargas |
Álcool, Algodão (caroço e pluma), Argila, Arroz,
Biodiesel, Cal, Cimento, Contêineres, Diesel, Farelo de soja,
Fertilizantes, Gasolina, Gesso, Gipsita, Milho, Óleo de soja, Soja,
Minério de ferro
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Fontes: Balanço de 2 anos do PAC, Ministério da Integração Nacional e Transnordestina Logística S.A.